Portingaloise

Associação Cultural e Artística

Portingaloise é uma associação sem fins lucrativos dedicada à divulgação da Dança Antiga (dança europeia dos séculos XV a XVIII), pelas vias formativa e performativa, assim como pela promoção de partilha de investigação científica. É constituída por artistas de formação versátil – dança, música, teatro, história da arte – que comungam do amplo interesse pelas artes do espetáculo na época moderna, orientando-se pela interpretação historicamente informada a partir da consulta assídua de documentos antigos.

Desenvolve recriações e também criações originais contemporâneas a partir da reflexão sobre conteúdos históricos e estéticos das épocas renascentista e barroca. Surge em 2015, onde paralelamente à atividade performativa, desenvolve regularmente atividades pedagógicas, apresenta trabalhos de investigação científica e organiza regularmente o Portingaloise - Festival Internacional de Danças e Músicas Antigas. Desenvolve ainda o projeto Le chá no arrr, voltado para a vertente educativa e ao público infanto-juvenil.

O primeiro registo escrito de dança com identidade portuguesa conhecido é uma melodia de bassedanse designada La Portingaloise presente no famoso Manuscrito de Basses Danses da Biblioteca Real de Bruxelas (Ms. 9085), documento de uso pessoal da Rainha Margarida de Áustria no séc. XV.

Pouco se sabe em concreto sobre a dança em Portugal na idade moderna, ou seja, no período históricos que vai do séc. XV ao XVIII, essencialmente pela falta de investigação séria e continuada nesta área, investigação essa que passa, necessariamente, pela leitura, experimentação prática e recriação de repertório coreográfico mas também musical e teatral. Os indícios da prática de dança são evidentes quando se pega, por exemplo, em peças teatrais dos séculos XV ou XVI de Gil Vicente ou em vilancicos do séc. XVII.

Catarina Costa e Silva

Direcção Artística

A sua atividade artística e pedagógica abrange as suas diferentes formações: Curso vocacional de dança – Ginasiano Escola de Dança; Licenciatura em História da Arte – FLUP; Licenciatura em Canto – ESMAE; MA Music-Theatre Studies – University of Sheffield; Curso de Encenação de Ópera – FCGulbenkian.

Fez formação em Danças Antigas com diferentes mestres de renome internacional (Béatrice Massin, Bruna Gondoni, Catherine Turocy, Cecília Gracio Moura, Cecília Nocilli, Diana Campóo, Dorothée Wortelboer, Françoise Denieau, Jürgen Schrape, Marie Geneviève Massé, Maria José Ruiz, entre outros). Como intérprete ou assumindo a encenação/direção coreográfica, apresentou-se dentro e fora de Portugal (Alemanha, Brasil, Espanha, Finlândia, França, Inglaterra, Itália) em importantes eventos (Aerowaves-Londres, Guimarães 2012–CECultura, Dias da Música-CCB, Tempestade e Galanterie-Queluz, Festival Mozart-Rovereto, Fringe-Utrecht) com diversos agrupamentos nacionais e estrangeiros.

Leciona Música e História da Cultura e das Artes no Ginasiano Escola de Dança desde 1994. Leciona Danças Antigas no Curso de Música Antiga da ESMAE – P.Porto desde 2008, assim como em diferentes instituições artísticas nacionais e estrangeiras, tais como a Semana de Música Antiga da Universidade Federal de Minas Gerais ou a European Union Baroque Orchestra (EUBO). É presidente da Portingaloise – Associação Cultural e Artística, membro fundador do Grupo Ibero-Americano de Estudo de Danças Antigas e council member da European Association for Dance History. É doutoranda de Estudos Artísticos com o estudo histórico-coreológico do manuscrito Choregraphie de Felix Kinski, e membro colaborador do CECH da Universidade de Coimbra.

Thiago Vaz

É mestre em Interpretação Artística/Música Antiga pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo - P.PORTO e bacharel em Música/Canto pela Universidade Federal de Uberlândia, Brasil. Estudou na Staatlich Hochschule für Music Trossingen. Desde 2016 é professor de Música no Ginasiano Escola de Dança e no Colégio de Música do Porto. Com uma formação multidisciplinar nas artes do espetáculo busca sempre estar envolvido em projetos que dialogam com diferentes expressões artísticas, tendo já atuado em diversos países, entre os quais Brasil, Portugal, Espanha, Alemanha, França e Itália.

Como cantor, destaca o seu debut no Teatro Real de Madrid com a ópera Dido y Eneas - A Hipster Tale de H. Purcell, direção musical de Aarón Zapico (Forma Antiqva) e encenação de Rafael R. Villalobos. Colabora com diversos agrupamentos musicais, entre eles o Curso de Música Antiga da ESMAE, Coro Sinfónico Casa da Música, Arte Minima, Capella Duriensis, Locus Desperatus, Ensemble Rosa del Ciel, I Colori Dell’Armonia, Limbus Ensemble, Camerata Più Bassa, entre outros.

Faz parte da Portingaloise Associação Cultural e Artística que atua nas vertentes da performance, formação e investigação relacionadas à dança e música antigas. Como complementação de seus estudos vocais e interpretativos participou de diversos cursos com renomados profissionais das áreas de música, voz, teatro e dança. Segue os seus estudos vocais sob a orientação de Peter T. Harrison.

Daniela Castro

Trabalha profissionalmente com a Música nas componentes performativa, criativa e pedagógica. Licenciada em Composição Musical pela ESMAE – IPP, dá aulas de música, canto e classes de conjunto. Faz parte do serviço educativo da Casa da Música desde 2017, desenvolvendo e participando em espetáculos e dando workshops. Na procura de uma maior transversalidade e interdisciplinaridade, desenvolve regularmente um trabalho de cruzamento de linguagens artísticas, em particular com a Dança e o Teatro. Tem formação e experiência em Dança em diferentes estilos, destacando-se um trabalho mais desenvolvido no estudo e prática de danças antigas (renascentistas e barrocas).

Como intérprete trabalhou com Catarina Costa e Silva em diversos projetos, destacando-se Ballet de la Raillerie e Kinski, com Pedro Ribeiro na encenação de A Paixão Segundo São João de Bach, com Rui Horta e Tiago Simães em Humanário. Na componente de criação, desenvolveu o espetáculo de teatro de rua Chá das Cinco - peça para quatro amigas mais uma que nunca mais chega com o grupo Coração nas Mãos e o solo InCorpora, a partir de diferentes formas de interagir com um violino.

Pertence à Associação Portingaloise, grupo de estudos, performance e divulgação das danças antigas, e também à Interferência – Associação de Intervenção na Prática Artística, associação de compositores que promove a criação e experimentação artística musical. Faz parte ainda do NEFUP - Núcleo de Etnografia e Folclore da Universidade do Porto e das Cantadeiras do NEFUP.

Alexandra Campos

Tem formação em dança clássica, contemporânea e danças antigas. Neste campo, teve aulas com vários mestres de referência internacional. Como intérprete, colabora regularmente com Catarina Costa e Silva e Isabel Gonzaga. Alguns projetos resultam de co-produções com a Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo e a Escola de Música do Conservatório Nacional. Fora de Portugal, dançou no Festival Lumières (Helsínquia) e no Festival Mozart (Rovereto). Em 2011, realizou um estágio do Programa Inov-Art na companhia fêtes galantes, onde trabalhou como colaboradora artística no DVD pedagógico La danse baroque proposée par Béatrice Massin.

É Mestre em História Moderna, com uma dissertação sobre os tratados de dança em Portugal no século XVIII (FCSH/NOVA, 2009), e iniciou, em 2016, um Doutoramento em Ciências da Comunicação, na FCSH/NOVA, sobre a transmissão do património da dança barroca. É membro do Grupo Ibero-Americano de Estudo de Danças Antigas e do Ensemble Portingaloise.

Inês Negrão

Desde cedo a dança faz parte da sua vida: primeiro na escola Parnaso e mais tarde no Centro de Dança do Porto onde para além da dança clássica, a dança contemporânea fez parte da sua formação base. Licenciada em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro, frequentou a Academia de Bailado Clássico em Aveiro, seguindo os estudos depois na Escola Superior de Dança em Lisboa onde se licenciou em Dança – ramo de educação, frequentando o programa Erasmus na Fontys Hogenscholen Dansacademie, na Holanda.

Sempre interessada em aprofundar os seus conhecimentos, em particular dentro da área da dança moderna, tem realizado bastantes formações donde se destacam o Dynamic Body Intensive no Laban Trinity College, e o Limón – Teachers Spring Intensive pela Limón Dance Company. Docente de técnicas de dança desde 2006, mantém também atividade como intérprete, tendo trabalhado com a Companhia de Dança de Aveiro ou o LPmovimento, assim como intérprete de algumas das suas criações coreográficas ou em projetos como o TeDance. Paralelamente organiza workshops direcionados a bebés, crianças e famílias.

Cristina Fernandes

É investigadora integrada do INET-MD (NOVA FCSH), onde desenvolve o projecto “Música, poder e diplomacia no século XVIII: Portugal no palco internacional” (desde Fevereiro de 2019). Entre 2011 e 2017 realizou um pós-doutoramento sobre as práticas musicais e o cerimonial da Capela Real e Patriarcal de Lisboa (1716-1834), com uma bolsa da FCT, e entre 2015 e 2017 coordenou a linha temática do INET-md “Abordagens Históricas à Performance Musical”. Natural da Guarda, fez o Curso Complementar de Piano no Conservatório da Covilhã, antes de obter a licenciatura em Ciências Musicais na NOVA-FCSH. Completou o Mestrado em Musicologia Histórica na mesma instituição e doutorou-se na Universidade de Évora em 2010.

Tem integrado diversos projectos de investigação em Portugal e no estrangeiro, incluindo várias colaborações com com grupo “Música em Espanha; Composição, Recepção e Interpretação” (Universidade de La Rioja). Actualmente faz parte da equipa do projecto europeu ``PERFORMART- Promoting, Patronising and Practising the Arts in Roman Aristocratic Families (1644-1740). The Contribution of Roman Families’ Archives to the History of Performing Arts`` (IP: Anne-Madeleine Goulet, ERC Consolidator Grant 2015; instituições de acolhimento: CNRS, École Française de Rome) e da equipa do projecto “PROFMUS-Ser Músico em Portugal: a condição sócio-profissional dos músicos em Lisboa” (INET-md, financiado pela FCT). Tem participado em conferências e seminários de investigação em Portugal, Espanha, Itália, Reino Unido, França, Bélgica, Holanda, Áustria e Brasil e é autora de diversos livros e artigos sobre a música e a cultura no século XVIII, entre outros temas.

Tem escrito também guiões para concertos encenados em torno da música e da dança nos salões e assembleias setecentistas. Foi professora em estabelecimentos do ensino especializado da música de diferentes níveis, incluindo a Fundação Musical dos Amigos das Crianças, a Academia Nacional Superior de Orquestra (Metropolitana), a Escola das Artes – Univ. Católica Portuguesa (Porto) e o departamento de Ciências Musicais da NOVA FCSH. É membro da direcção da SPIM-Sociedade Portuguesa de Investigação em Música e crítica de música do jornal Público.

Sara Dacal

Licenciou-se em Música Antiga, na especialidade de Cravo, pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Instituto Politécnico do Porto, tendo realizado ERASMUS na Staatlich Hochshule für Musik Trossingen, Alemanha. Concluiu o Mestrado em Estudos Artísticos na Universidade de Coimbra em 2018 com a seguinte dissertação: “A música impressa do fundo da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra - Catalogação dos livros de partes do séc. XVI.”

O seu interesse crescente na catalogação e inventariação de documentos levou-lhe a realizar um curso de Técnico Auxiliar de Biblioteca Profesional em Sevilha, Espanha. É membro da Portingaloise - Associação Cultural e Artística, onde tem exercido funções relacionadas à produção e direção de cena de festivais, encontros académicos, espetáculos e demais atividades da associação desde 2015.

Parceiros
Kale Companhia de Dança / Armazém22
Ginasiano Escola de Dança
Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
Curso de Música Antiga da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Politécnico do Porto
O Bando de Surunyo

Créditos da imagem de capa: Gonçalo Sério Limpo