MILLEFLEURS
O regresso à clausura dos outros

As Cartas da Alcoforado, enclausurada num convento, são escritas como um bordado. Há ternura e dedicação na escolha de cada palavra, de cada ponto rematado. A partitura de dança é uma tapeçaria de movimento. Cada passo é um fio alinhavado com precisão, cada corte um gesto narrativo. A ópera é uma urdidura que reúne música e libreto por entre os quais passa a trama que sustenta a ação. As Novas Cartas Portuguesas foram fiadas por três rocas reclusas nas margens da sociedade de um Estado Velho em nó. Será a mulher enfeite uma flor? Sensível, pura, delicada? Serão mil mulheres, millefleurs, uma tapeçaria antiga onde cada desenho carrega o seu peso na história? Por que razão, hoje, duas mulheres dançam bordados florais? O que nos leva a desfiar a sensibilidade feminina em jutas verticais e meadas presas? Chutamos as agulhas para longe? Será a sensibilidade, conhecimento ou apenas mais um fio que nos pedem para rematar?

Criação a partir de textos de: Alcoforado “Cartas Portuguesas” Pub.1669; Lully/Quinault: “Atys” Estr.1676; Lully/Quinault “Armide” Estr.1686; Campra/La Motte “L’Europe Galante” Estr.1697; Campra/Danchet “Fragments de Monsieur de Lully” (Cit: Moliére “Le Bourgeois Gentilhomme”) Estr.1702; La Barre/La Motte “La Vénitienne” Estr. 1705; Detouches/Roy: “Callirhoé” Estr.1712; Barreno, Horta, Costa: “Novas Cartas Portuguesas” Pub.1972
Coreografias: Chaconne pour une femme de Mons. Pécour (1712), Entrée pour une femme seul dancée par Mlle Guiot à L’ opéra d’Athis de Mons. Pecour (1712), Allemande de Mons. Pecour (1702) a partir de F. Kinski (1751), Entrée Espagnole pour une femme de Mons. Pécour (1704), Passacaille of Armide by Mrs Elford & Mrs Santlow by Mr. Abbé (1725), Canarye dancée par Mlle Provost et Mlle Guiot au Triomphe de l’Amour de Mons. Pecour (1712), La Muzette à deux dancée par Mlle Provost et Mlle Guiot à l’ opéra de Callirhoé de Mons. Pecour (1712).
Outras obras musicais: Concerts Royaux – Premier Concert (1722) de François Couperin, Chaconne L’Inconstante de Pièces de Clavecin – Suite I en ré mineur (1687) de Elizabeth Jacquet de la Guerre

Millefleurs – significa literalmente “mil flores” e refere-se ao conjunto de motivos vegetalistas que serve de fundo a várias tapeçarias na Europa, tendo sido particularmente popular no século XV e XVI na arte francesa e flamenga.

FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA

Produção
Portingaloise – Associação Cultural e Artística

Dramaturgia e Encenação
Pedro Ribeiro

Direção musical
Ana Mafalda Castro

Design de luz
Pedro Abreu

Design e confecção de figurinos
Letícia dos Santos (Mulher a bordar)

Design de adereços
Pedro Ribeiro

Bordadeira juta
Maria José Ribeiro

Interpretação/criação: Ensemble Portingaloise
Catarina Costa e Silva (Mulher de 1690)
Daniela Leite Castro (Mulher de 1971)

Interpretação musical: Udite Amanti
Ana Mafalda Castro – direção/cravo
Mariña García-Bouso – violino
Ana Clérigo – violino
Inês Moz Caldas – flauta de bisel
Leonor Sá – violoncelo
(Mulheres de 2025)

Sonoplastia
Daniela Leite Castro

Voz-off
Bárbara Pais

Cabelos
Paula Ferreira

Estagiárias
Joana Givá, Maria Rita Tavares (Formação em Contexto de Trabalho – FCT | Ginasiano Escola de Dança)

Agradecimentos
Maria José Ribeiro, Pedro Santos, Ginasiano Escola de Dança, Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo – P.Porto, Companhia de Teatro Os Quatro Ventos

TEASER

APRESENTAÇÕES

29/03/2025
X Portingaloise – Festival Internacional de Danças e Músicas Antigas
Armazém22, Vila Nova de Gaia

27/03/2025 – Sessão didática
28/03/2025 – Sessão inclusiva