Kinski

01

Agosto
Kinski surge a partir do estudo do Manuscrito Choreographie o arte para saber danzar… (MS 1394) de Felix Kinski, de 1751 presente na Biblioteca Pública Municipal do Porto. Ainda se desconhecem as razões para a elaboração deste documento que consiste na compilação de várias danças de par originárias da corte francesa, sendo registos coreográficos e musicais de Kinski, possivelmente a partir da sua memória. Esta “atualização” operada por Kinski - de ascendência polaca que terá passado pela corte francesa, mas que é conhecido como mestre de dança, vindo de Espanha, e empresário artístico na cidade do Porto - convida-nos a refletir sobre a transformação de conteúdos artísticos, sobre a sua apropriação por geografias e agentes distintos, abordando a transgressão do modelo - seja por que causa for - como processo de nova elaboração, como processo criativo. É neste sentido que este Manuscrito setecentista é aqui por nós abordado: procurando a sua identidade atual, integrando sentidos contemporâneos. Para além disso, pretendemos refletir sobre a “atualização” que, já na época, este mestre faz do reportório francêsao registar as danças com algumas diferenças em relação às originais. Erro? Adaptação? Ornamentação? Transgressão? Inspirados por Kinski, questionamos a atualização de objetos artísticos de outrora, propondo uma esta criação contemporânea que, para além de concretizar um esforço de atualização performativa, tem-se revelado também uma interessante ferramenta metodológica.    

Esta “atualização” convida-nos a refletir sobre a transformação de conteúdos artísticos, sobre a sua apropriação por geografias e agentes distintos, abordando a transgressão do modelo como processo de nova elaboração, como processo criativo. É neste sentido que este Manuscrito setecentista foi por nós trabalhado: procurando a sua identidade atual, integrando sentidos contemporâneos. Define-se como obra aberta pela sua estruturação formal flexível (constituído por cenas de combinação variável), pelo número e especificidade dos intérpretes integrantes e ainda pela potencialidade de já ter sido apresentado em contexto cénico tradicional ou em site specific. O projeto é acompanhado por uma sonoplastia com base nos sons do papel e do violino. O papel, pela sua importância e uso na transmissão do objeto de estudo, e o violino pela ligação fundamental entre a música e a dança. É usado o princípio do som e do ruído enquanto composição de ambientes envolventes que reforcem o sentido das propostas da dança, mas passando também por momentos musicais evidentes e tradicionais entre a música e a dança barroca.

Em 2017, o projeto foi selecionado para La Pépinière de Chorégraphes da companhia Fêtes Galantes, direção de Béatrice Massin, que permitiu diversas residências coreográficas ao longo de 2017 e 2018, em Vila Nova de Gaia e Paris.

 

Espetáculos

05/04/2018 – Les Danses Abritées #2, Théâtre Paul Eluard, Bezons, França

28/10/2016 – III Jornadas de Estudo sobre o convento dos Capuchos, Almada

16/07/2016 – II Portingaloise – Festival Internacional de Danças e Músicas Antigas, Armazém 22, Vila Nova de Gaia

03/06/2016 – projeto dos alunos finalistas da Licenciatura em Luz e Som do Departamento de Teatro da ESMAE – P. PORTO, Teatro Helena Sá e Costa, Porto

 

Vídeos

 

 

 

 

Créditos de imagem: Chapon Benoit